Descubra como o algodão se comporta no tricô, quais pontos e peças funcionam melhor e como evitar surpresas no tamanho depois da lavagem e do uso.

Se você já fez uma peça de tricô com fio de algodão e depois de algumas horas de uso percebeu que ela ficou um pouquinho diferente daquela peça linda que saiu das agulhas, saiba que você não está imaginando coisas! Neste artigo, você vai descobrir por que isso acontece. Afinal, o tricô com fios de algodão estica de fato ou é apenas um mito.
O algodão realmente tem um comportamento diferente de fibras como a lã ou acrílico e isso precisa ser levado em consideração na hora de escolher o fio, o ponto e principalmente o tamanho da peça. Mas será que podemos dizer simplesmente que o tricô com os fios de algodão estica? A resposta é: depende. E é justamente aí que começa a confusão que hoje eu estou aqui para te ajudar a entender melhor. Afinal, o algodão é uma fibra vegetal com pouca elasticidade natural.
Dessa forma, isso significa que ele não tem aquela capacidade de voltar facilmente à forma original que encontramos em fibras com maior elasticidade. Quando você estica uma peça de algodão, ela pode até retornar parcialmente, mas não espere o mesmo efeito de recuperação de uma lã. Por isso, dependendo da construção do fio, do ponto utilizado, da tensão da tricoteira, da modelagem e do peso da própria peça, o tecido pode ceder com o uso.
Além disso, tem mais uma coisa importante: uma peça de algodão pode mudar bastante de comportamento depois da lavagem. Então, aquela amostra que parecia perfeita na hora em que você terminou de tricotar pode contar uma história completamente diferente depois de molhada, seca e usada.


Quando falamos em tricô com algodão, não estamos falando de um único tipo de fio. Existem fios compostos por algodão em diferentes espessuras e construções, além de fios que misturam algodão com outras fibras. Os fios de algodão mais finos são ótimos para peças leves e fresquinhas, especialmente para o verão. Eles funcionam muito bem em blusas, regatas, tops, cardigãs leves, peças infantis e acessórios.
Por outro lado, os fios de algodão mais encorpados podem criar tecidos mais estruturados e são interessantes para peças como bolsas, coletes, blusas mais pesadas, mantas e projetos decorativos. Também existem misturas de algodão com fibras sintéticas. Nesse caso, o comportamento da peça pode ser bem diferente, porque a fibra adicionada pode aumentar a elasticidade, melhorar a recuperação da peça ou diminuir a tendência de deformação. Por isso, não basta olhar para a palavra “algodão” no rótulo. É importante observar a composição completa do fio, a espessura, a metragem e a indicação de agulhas.


Afinal, o tricô de algodão estica? É a pergunta que eu sempre recebo de vocês!
O algodão possui baixa elasticidade natural. Ele não funciona como uma mola. Então, quando uma peça de algodão é submetida ao peso, a tensão e ao movimento do corpo, ela pode sofrer alterações nas dimensões. Isso é especialmente perceptível em peças grandes. Imagine uma blusa de algodão comprida. Ela fica pendurada no corpo durante várias horas. O próprio peso da peça pode fazer com que ela ceda um pouco no comprimento. Se o tecido tiver pontos muito abertos, esse efeito pode ser ainda mais evidente.
Além disso, existe outro detalhe interessante. Uma peça pode não apenas aumentar de tamanho. Dependendo da construção do tecido e da lavagem, ela também pode encolher ou ficar mais compacta. É por isso que dizer simplesmente “algodão estica” não explica toda a história. O mais correto é pensar que o tecido de tricô feito com algodão pode sofrer alterações de dimensões durante a lavagem e o uso, e que essas alterações precisam ser consideradas no projeto.

Eu sei que falar de amostra pode parecer aquele conselho que a gente já ouviu mil vezes e pensa “ah, eu sei disso!”. Mas quando estamos trabalhando com algodão, eu diria que a amostra deixa de ser uma recomendação e passa a ser quase uma investigação científica.
Portanto, faça a amostra utilizando o mesmo fio, a mesma agulha e, se possível, o mesmo ponto que será usado na peça. Depois meça. Anote a largura e a altura. Agora lave a amostra da maneira como você pretende lavar a peça pronta. Deixe secar completamente e meça novamente. Essa segunda medida é importantíssima.
Dessa forma, se a amostra tinha 20 centímetros antes da lavagem e passou a ter 21 centímetros depois, você já descobriu que o seu tecido mudou de comportamento. Mas não pare por aí. Se quiser realmente conhecer o comportamento daquele fio, você pode deixar a amostra descansar por algumas horas, manipulá-la, esticá-la delicadamente e até observar como ela se comporta depois de algum tempo. Isso dá uma ideia muito mais realista de como a peça pronta poderá se comportar.


Esse é um dos motivos pelos quais uma blusa de algodão pode ficar perfeita na primeira prova e diferente algumas semanas depois. A lavagem pode alterar as fibras e a estrutura dos pontos. Contudo, o processo de secagem também interfere. Depois vem o uso, o peso da peça, os movimentos do corpo e a própria gravidade. Afinal, uma blusa que fica pendurada no corpo durante um dia inteiro não está se comportando da mesma maneira que uma amostra de dez centímetros em cima da mesa.
Deste modo, tanto a lavagem quanto a secagem também podem alterar o formato da peça. Por isso, siga sempre as instruções da etiqueta do fio e, quando indicado, seque a peça na horizontal. Uma peça molhada fica mais pesada e, se for pendurada, pode deformar pelo próprio peso. Afinal, às vezes não é o algodão que está fazendo arte. É a gravidade!


Sobretudo, a escolha do ponto decorativo também é importante. Pontos mais fechados e estruturados tendem a criar tecidos com mais estabilidade. Ponto meia, ponto tricô e combinações simples podem funcionar muito bem, dependendo do fio e da proposta da peça.
Já pontos muito abertos podem produzir um tecido mais maleável e sujeito a mudanças de tamanho. Isso não significa que você não possa usar renda ou pontos vazados com algodão. Pelo contrário! O resultado pode ser maravilhoso. Contudo, o segredo é entender que um ponto aberto deixa mais espaço para o tecido se movimentar.
Peças grandes, pesadas ou muito ajustadas merecem atenção. Uma blusa ou vestido longo, por exemplo, pode ceder no comprimento por causa do próprio peso. Já uma peça muito justa precisa de um ponto que ofereça conforto e alguma elasticidade. O algodão é uma ótima escolha para peças leves e fresquinhas, especialmente para primavera e verão. Blusas, regatas, tops, coletes, cardigãs leves e peças infantis funcionam muito bem, assim como bolsas e acessórios mais estruturados.


O algodão é uma ótima opção para criar peças frescas, confortáveis e cheias de possibilidades. O segredo é não tentar adivinhar como a peça vai se comportar depois de pronta. Faça uma amostra com o mesmo fio, agulha e ponto do projeto, lave como pretende lavar a peça pronta, deixe secar e meça novamente. Se a amostra mudou de tamanho, leve essa diferença em consideração nos cálculos. É muito melhor descobrir uma alteração de dois centímetros na amostra do que depois de passar horas tricotando uma blusa inteira.
Conhecendo o comportamento do fio, testando a lavagem e escolhendo o ponto de acordo com o resultado que você deseja, o algodão deixa de ser uma surpresa e vira um grande aliado no tricô. Espero que essas dicas a tenham ajudado. Um abraço e até a próxima!
Este post foi escrito por mim, Day Vaz do site Eu Amo Tricô. Sou apaixonada por tricô e há vários anos compartilho receitas, dicas, aulas e um pouco do dia a dia do meu ateliê nas redes sociais. Venha tricotar comigo no site www.euamotrico.com.br ou me acompanhe no Instagram @blogbyday. Não esqueça de marcar suas criações com #semprecirculo e #blogbyday — vou adorar ver o que você anda tricotando por aí!
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