Entre novelos, lembranças e pontos feitos à mão, descubra por que guardamos roupas que já não usamos e como dar a elas um novo destino sem perder o carinho pelo artesanato.
Você já abriu o armário, encontrou aquela blusa de tricô que não usa há anos e pensou que precisava dar um destino a ela? Talvez tenha sido você quem fez a peça, talvez tenha recebido de presente ou talvez tenha passado horas escolhendo a cor e o fio perfeito para aquele projeto. O fato é que existem peças que nunca usamos, mas nunca desmanchamos.
Afinal, algumas roupas permanecem conosco muito depois de deixarem de fazer parte do nosso dia a dia. E, quando são itens artesanais, desapegar pode ser ainda mais difícil. Afinal, não estamos falando apenas de uma blusa ou de um cardigan. Estamos falando de tempo, habilidade, criatividade e, muitas vezes, de uma lembrança que não queremos perder.
Quem faz tricô sabe que uma peça artesanal carrega uma história. Tenho alunas que passaram anos tecendo uma peça, interrompendo o trabalho por causa das intercorrências da vida, até que, depois de muita persistência, ela finalmente ficou pronta. Nesses casos, já não é mais uma blusa de tricô, é um troféu em forma de tricô! Uma peça feita à mão pode representar uma fase da vida, um presente especial ou até um momento em que encontramos no tricô uma forma de descansar a cabeça. Eu mesma guardo com carinho um casaquinho de bebê cheio de erros, pois ele me lembra como consegui vencer aquele desafio.
O curioso é que nem sempre precisamos usar uma roupa para continuar gostando dela. Às vezes, basta saber que ela está ali. Abrir a gaveta e encontrar aquele trabalho pronto nos dá uma pequena satisfação, como se estivéssemos reencontrando uma parte da nossa própria história. E me digam, que mãe aí nunca guardou com carinho um par de sapatinhos de tricô ou um gorrinho que fez para o filho? São peças pequenas, mas que podem carregar lembranças enormes e que, mesmo quando deixam de ter utilidade, continuam tendo um lugar especial no coração.

Existe uma diferença entre não usar uma peça e não gostar mais dela. Muitas vezes, continuamos gostando muito do que fizemos, mas a roupa já não serve, não combina com nosso guarda-roupa ou simplesmente não faz sentido para a nossa rotina. Também podemos sentir que doar seria desperdiçar todo o trabalho investido. Afinal, se passamos semanas confeccionando uma blusa, como podemos entregá-la a outra pessoa sem sentir que estamos abrindo mão de algo importante?
Uma forma de pensar sobre isso é separar a lembrança da utilidade. Você não precisa manter todas as roupas que fizeram parte da sua história para preservar essa história. Uma fotografia da peça, por exemplo, pode registrar o projeto, a cor e o momento em que ela foi feita.
Outra possibilidade é guardar apenas as peças que realmente têm um significado especial. Não existe uma quantidade correta de roupas artesanais que devemos conservar. O importante é que a decisão seja consciente, e não motivada apenas pelo medo de se arrepender.

Uma pergunta simples: Se você encontrasse essa roupa hoje em uma loja, escolheria levá-la para casa? Se a resposta for sim, vale investigar por que ela está parada. Talvez falte uma combinação adequada, precise de um pequeno ajuste ou seja uma peça que você gostaria de voltar a usar em outra estação.
Se a resposta for não, tente entender o motivo. Você deixou de gostar da cor? A modelagem já não combina com seu estilo? A peça ficou pequena? Ou será que você a guarda apenas porque se lembra de todo o esforço necessário para confeccioná-la? Essas perguntas não servem para convencer ninguém a se desfazer das próprias roupas, mas para nos ajudar a perceber a diferença entre conservar algo por amor e manter algo por obrigação.
Outra dica é experimentar a peça, em vez de avaliá-la apenas no cabide. Veja como veste, se continua confortável e se combina com as roupas que você usa atualmente. Às vezes, redescobrimos uma peça esquecida e voltamos a usá-la com prazer. Em outras ocasiões, percebemos que ela já cumpriu seu papel em nossa vida e que pode ganhar um novo destino, seja pelas mãos de outra pessoa ou transformada em um novo projeto.
Preparei para você um pequeno teste. Responda pensando naquela roupa de tricô que você guarda há muito tempo, escolha a alternativa que mais combina com você e confira o resultado no final.
Responda às perguntas abaixo escolhendo a alternativa que mais combina com você e descubra no final o que o seu resultado revela.

Veja o que as suas respostas revelam sobre a sua relação com as peças de tricô que você não usa mais.
O valor afetivo tem um peso importante na sua relação com o tricô. Isso não é um problema. Talvez seja interessante selecionar as peças mais significativas e encontrar uma maneira de registrar as demais sem precisar guardar todas.
Você procura equilíbrio entre memória e utilidade. Esse é um bom caminho para avaliar cada roupa individualmente, considerando ajustes, novas combinações e possibilidades de doação.
Você tende a pensar no próximo ciclo da peça. Seja pela doação, seja pelo reaproveitamento do fio, você enxerga possibilidades além do armário. Só lembre que nem todo projeto precisa ser transformado para continuar tendo valor.
Melhor ainda. Nossa relação com as peças artesanais não precisa caber em uma única categoria. Podemos guardar algumas, doar outras e desmanchar aquelas que realmente merecem virar um novo projeto.
O mais importante é fazer escolhas que façam sentido para você e que respeitem todo o valor e a história de cada peça feita à mão.

Quando doamos uma peça artesanal, não estamos dizendo que ela perdeu o valor. Estamos reconhecendo que sua utilidade pode continuar existindo mesmo quando ela já não atende às nossas necessidades. É importante, claro, doar peças limpas, em bom estado e adequadas ao uso. Se houver fios soltos, costuras abertas ou outros problemas, vale avaliar o conserto antes de entregá-las. Uma doação cuidadosa respeita tanto quem recebe quanto o trabalho artesanal que estamos compartilhando.
E se você decidir guardar a peça, tudo bem também. O desapego não precisa ser uma obrigação nem uma competição para ver quem tem menos coisas. A ideia é fazer escolhas conscientes e manter por perto aquilo que realmente tem sentido para você.
Talvez a maior beleza do tricô esteja nisso, na capacidade de transformar um fio em uma peça, uma lembrança ou até em um novo projeto. Quando encontrar aquela roupa que nunca usa, mas não consegue desmanchar, pense no que ela representa. Você pode guardá-la com carinho, doá-la para alguém que vai aproveitá-la ou recuperar os fios para criar algo novo. Afinal, cada peça feita à mão merece respeito e pode continuar tendo valor, seja preservando uma história, ganhando uma nova forma ou aquecendo alguém que ainda vai descobrir a alegria de usá-la.
Este post foi escrito por mim, Day Vaz do site Eu Amo Tricô. Sou apaixonada por tricô e há vários anos compartilho receitas, dicas, aulas e um pouco do dia a dia do meu ateliê nas redes sociais. Venha tricotar comigo no site www.euamotrico.com.br ou me acompanhe no Instagram @blogbyday. Não esqueça de marcar suas criações com #semprecirculo e #blogbyday — vou adorar ver o que você anda tricotando por aí!
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